terça-feira, janeiro 19, 2016

Hasta la Vista!!



Pessoas Queridas,

A maioria de vocês já deve ter visto a notícia nas redes sociais: acabei de escrever A Fonte Âmbar, o terceiro livro da série. Foi trabalhoso, mas valeu a pena: ainda este ano, eu e a Editora Draco apresentaremos aos leitores de Athelgard uma obra não isenta de falhas, mas digna, bem cuidada e que, eu espero, irá agradar à maioria.

Por essa e por outras razões, o ano que passou foi bem puxado para mim, inclusive em termos pessoais. Felizmente dei conta dos compromissos que tinha firmado, mas fiquei cansada, e alguns aspectos importantes da minha vida foram deixados de lado.

Agora, como gosto sempre de fazer -- e felizmente posso -- vou viajar com meu marido e filha, ficar desconectada, ver e rever paisagens diferentes, aprender, espairecer. O destino deste ano é a Espanha, o que é muito legal porque o meu próximo conto a sair pela Draco é ambientado lá. Inclusive numa das cidades que iremos visitar, na qual fica o castelo aí de cima, o Castillo de Almodóvar del Rio, edificado por berberes onde tinha havido uma fortificação romana e mais tarde modificado por outras dinastias muçulmanas e por senhores cristãos.

Enquanto estou fora, convido vocês a passear pelas prateleiras da Estante, dar uma olhada nos textos do Wattpad, nas minhas publicações, no que está grátis online. Sobretudo não deixem de visitar o Blog do Castelo e ler os contos de Athelgard! Assim, o tempo passa rápido, e logo estarei de volta com muitas histórias e ânimo renovado para contá-las.

Até breve!

quinta-feira, janeiro 07, 2016

segunda-feira, janeiro 04, 2016

"O Castelo das Águias" de Graça Para Usuários do IOS!


Pessoas Queridas,

O ano começa com um presente da Editora Draco para usuários do IOS (iPad, iPhone e Mac). Durante uma semana, o primeiro livro da série, "O Castelo das Águias", vai estar inteiramente de graça no iTunes Store! Corram lá!

Para baixar o livro com o iBooks clique aqui.

Não é usuário do IOS, mas sim do Kindle? Beleza! Tanto os e-books quanto os livros físicos da série estão em promoção, e alguns contos são tão baratos que é quase como estarem de graça. Confira aqui.

E "A Fonte Âmbar", terceiro livro da série, está vindo por aí... Espero que vocês gostem!

Até breve!

quarta-feira, dezembro 23, 2015

Em Busca do Rei (Final)

O fenício recuou, espantado, à menção de seu nome por aquele desconhecido. Ele olhou para Lísias, mas o rapaz encolheu os ombros, igualmente surpreso. O velho abriu os braços, num convite mudo, e Balthazar o abraçou, porque não lhe ocorreu fazer mais nada. Como agir diante de uma coisa assim?
-- Os deuses o guiaram até nós, meu filho – disse o velho homem. Cheirava a alho, a suor e um pouco a incenso, e parecia um bom sujeito, sorrindo com franqueza sob a barba branca. O outro homem era moço, de feições finas e bem desenhadas; também abraçou Balthazar, porém mais brevemente, agradecendo por salvar a vida de seu mestre.
-- Sabe o quanto é preciosa – disse, e o velho sorriu com modéstia. – Aqueles bandidos iam nos levar até o outro lado do deserto, fiquei com medo de que ele nem sobrevivesse à jornada. Ainda bem que você apareceu, ainda que com atraso. Nós o esperamos neste vale por três dias além da lua nova, quando deveria ter chegado, segundo sua carta.
-- É, bem... Viagens longas têm seus imprevistos. – O fenício não sabia o que dizer.
-- Não importa! A estrela continua a brilhar – declarou o velho. – Ela nos reuniu apesar dos percalços: eu, o mestre; você, meu pupilo; e Balthazar, que ensinei a ler as estrelas quando era pouco mais que um menino. Mais jovem até que esse rapaz – apontou para Lísias. – Pensei que você também viajaria sozinho.
-- Sim, decidi trazer um servo na última hora... para cuidar dos camelos – improvisou Balthazar. – Mas o dele se perdeu na tempestade de areia. Vocês também sofreram com ela?
-- Não passou pelo vale, felizmente – disse o viajante mais novo. – Sinto pelo camelo, mas imagino que seja nosso direito pegar os dos bandoleiros. Eles tinham dois; o rapazinho pode ficar com um e passamos um pouco da carga de nossos animais para o que sobrar. É até bom, assim divido o peso do ouro.
-- Está... está levando ouro em seu camelo? – Balthazar pigarreou, disfarçando seu entusiasmo. – Muito ouro, ou...
-- Ah, não, só o bastante para presentear o rei, quando o encontrarmos. Afinal, segundo dizem as estrelas, será um grande rei. O rei de todos os povos! – exclamou o jovem, sem perceber o brilho nos olhos do fenício. – Para um monarca tão poderoso, os deuses irão sorrir, e nós, que servimos aos deuses, não podemos ser mesquinhos com nossos presentes. Concorda, mestre Gaspar?
-- Inteiramente, Belchior – sorriu com bonomia o homem mais velho.


A estrela cintilava sobre o vale, e o mestre e seu pupilo a contemplavam embevecidos enquanto Balthazar resumia para Lísias a conversa travada em aramaico. Pelo que entendera, Gaspar e Belchior eram sacerdotes e estudiosos dos astros – magi, concluiu o heleno -- e viam aquela estrela como um sinal da vinda do grande rei. Esse também era o palpite de outro homem, um antigo pupilo de Gaspar, que tinha o mesmo nome do capitão. Os três haviam trocado cartas a respeito e combinado um encontro no vale, de onde seguiriam para uma cidade às margens do deserto, chamada Yerushaláyim.
-- Eles acreditam que o rei local, Herodes, possa saber alguma coisa sobre o outro rei. E o outro Balthazar também acreditava – explicou o fenício. – Claro que ele só pode ser aquele homem que encontramos com o camelo.
-- Sim, e isso é estranho – disse Lísias, cismado. – Até meio assustador, porque ele se parecia com você a ponto de um antigo mestre confundir os dois. E ainda por cima o mesmo nome... Lembra o que falei sobre os dois Balthazares? Aquele, ao que parece, morreu na mesma tempestade de areia que encontramos ao chegar. Isso me faz pensar que é perigoso voltarmos a um tempo em que você já existia. Talvez, para haver um Balthazar, o outro tenha que...
-- Não diga asneira, Lísias! – replicou o fenício. -- Aquele não era eu, ele nasceu séculos depois de mim! No máximo poderia ser meu descendente... se algum dia eu tivesse tido filhos.
-- Quem sabe você deixou algum pelo caminho – sugeriu Lísias. – E o outro Balthazar poderia estar indo encontrar um descendente de Alexandre.
-- Que seja! Não me interessa o que ele queria, e sim o ouro que Belchior leva no camelo. – O capitão sorriu com malícia. – Gaspar tem uma fortuna em incenso e está coberto de joias. E como estamos a meio mundo de distância dos Pilares, e não podemos navegar no inverno, pensei: que tal comprarmos uma bela casa à beira-mar aqui no Oriente? E, quando o tempo esquentar, arranjamos um barco e partimos para tentar de novo. O que acha?
-- Acho bom, desde que não façamos mal a Belchior e a Mestre Gaspar.
-- Claro que não! O que pensa que eu sou, um assassino? – Balthazar, cuja fama de pirata corria os portos do Grande Mar, fechou a cara, ofendido. – Nada disso. Eu só pensei que talvez um camelo e sua carga pudessem se extraviar ao longo da viagem, ou, quem sabe, da nossa estadia em Yerushaláyim. Dependendo do que descobrirmos por lá, pode ser até que eu me anime a seguir com eles em busca desse rei de todos os povos. Com esse título, deve ter muitas riquezas, e quem sabe também é generoso ao reparti-las... não é mesmo?
O heleno ergueu as sobrancelhas, mas concordou.
Os sacerdotes comeram com apetite, elogiando o trigo cozido com mel, uma receita que Lísias aprendera em Cartago. Tiveram mesmo a gentileza de dizer isso em helênico, para que ele entendesse e pudesse agradecer. Depois, os três amantes de estrelas se juntaram perto do fogo e se puseram a examinar papiros e apontar com grandes gestos para o céu. Lísias lavou no rio os utensílios do jantar e foi se sentar perto dos camelos, sentindo falta de sua cítara, mas feliz por ter ao menos Menelau a quem confiar seus pensamentos.
-- Balthazar está contente de novo – segredou ele. – Ainda não foi dessa vez que chegou onde queria, mas vai aproveitar a viagem mesmo assim. E, quem sabe? Talvez um dia se lembrem dele como um rei, como ele disse no barco...
Menelau cutucou seu ombro com o queixo, fazendo com que se voltasse, e o encarou com seus olhos grandes. Pareciam céticos, como se o advertissem de que estava sonhando demais. Lísias não se abalou. Menelau podia achá-lo um tonto, mas os sonhos faziam parte dele. Eram o que o movia, assim como a sede de aventura -- mais que a de vingança -- era o que fazia Balthazar seguir em frente.
E onde quer que a estrela os levasse, ele tinha certeza, aquela jornada ficaria para sempre na História.
*****
         E aí? Que tal o Conto de Natal da Clepsidra?
        Espero que não tenham ficado frustrados por eu não mostrar a chegada de nossos heróis a Yerushaláyim e tudo que veio depois. A história canônica todo mundo já conhece, e é mais legal deixar a imaginação de cada um responder se Balthazar acabou afanando parte do ouro e do incenso dos companheiros ou se Menelau fez mais alguma das suas.
       Da minha parte eu imagino que o fenício e seu fiel heleno acabaram achando um lugar tranquilo para passar o inverno e, depois, se puseram a caminho dos Pilares de Melkart, onde fizeram mais uma tentativa de encontrar Alexandre da Macedônia. Onde foram parar, e o que aconteceu, não faço ideia... Mas algumas das possibilidades eu pretendo explorar em novos contos da dupla, bem como mostrar um pouco da vida deles antes da clepsidra, em Cartago e em peripécias com o Fênix pelo Grande Mar.
      Que venha, pois, o novo ano... e que ele traga muita inspiração para contar essas histórias, e as histórias de Athelgard, e quantas outras a imaginação ditar!
           Até breve!!